Governo de MG e ABCZ lançam programa de recuperação de pastagens

Fonte: Seapa - MG.


A bovinocultura tem uma importância econômica muito grande para Minas Gerais, em razão da representatividade que tem no PIB do agronegócio de base animal. Em 2017, foram movimentados R$ 40,6 bilhões dentro do segmento básico da bovinocultura, que reúne cerca de 400 mil criadores no estado. Não restam dúvidas de que esses números são muito expressivos, mas um diagnóstico realizado pelo Instituto Antonio Ernesto de Salvo (INAES), em parceria com o Ministério da Agricultura, Emater-MG, Epamig e Embrapa, mostra que a rentabilidade do setor poderia ser ainda maior se 75% das áreas cobertas com pastagem no estado não estivessem em grau de moderada à elevada degradação.

Empenhada em contribuir para reverter este cenário, a ABCZ fez neste domingo (28/4) o lançamento do programa de recuperação de pastagens, que tem como objetivo estimular a produção sustentável por meio da integração das atividades pecuárias, agrícolas e florestais na mesma área, em cultivo consorciado, sucessão ou rotação.

A secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Ana Maria Valentini, conduziu a reunião, e elogiou a iniciativa da associação.

“Esta iniciativa mostra, mais uma vez, o protagonismo da ABCZ. A degradação das pastagens em nosso estado, e também no país, é um problema muito sério, que tem que ser enfrentado com urgência e maior objetividade. Neste momento, estão em curso ações da ABCZ com as nossas vinculadas, e isso é extremamente importante para mostrarmos ao governo federal que não se trata apenas de um projeto, mas de um trabalho de parceria continuado que já está em implantação, e, o principal, apresentando resultados positivos”, contextualiza.

O sistema de integração é uma das alternativas que podem ser utilizadas para reverter o quadro de degradação de pastagens, um dos principais sinais da baixa sustentabilidade da pecuária nas diferentes regiões brasileiras. O programa vai ser desenvolvido em parceria com a Embrapa Cerrados, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e suas vinculadas Emater-MG, Epamig e IMA, entre outras empresas públicas e privadas.

“O programa vem para somar. Nossa grande preocupação é fortalecer e desenvolver a pecuária. Produzimos genética, mas temos que produzir também pasto para que este produtor rural consiga melhorar a sua renda e permaneça no campo”, destaca Rivaldo Machado Borges Júnior, diretor da ABCZ.

Modelo

Os sistemas de integração são classificados em quatro modalidades principais: Integração Lavoura-Pecuária (ILP); Integração Pecuária-Floresta (IPF); Integração Lavoura-Floresta (ILF) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Estimulando a adoção de um desses sistemas de produção, manejo e recuperação de pastagens, o projeto-piloto, que está sendo realizado na região do Triângulo Mineiro, pretende garantir a sustentabilidade da pecuária bovina de carne e leite, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica da atividade agropecuária.

Por meio da chamada pública Anater Leite, a Emater-MG conseguiu recursos para, em um período de 26 meses, oferecer assistência técnica e extensão rural a mil produtores de leite. Desse total, 50 propriedades estão participando deste projeto-piloto de recuperação de pastagens. “Essas propriedades serão transformadas em unidades demonstrativas para que, assim, possamos multiplicar a metodologia em outras regiões do estado e também do país”, explica o presidente da Emater-MG, Gustavo Laterza de Deus.

A Epamig conta com um laboratório em Uberaba e foi a responsável pela análise de solo das fazendas beneficiadas pela chamada pública Anater Leite. “Temos uma equipe de pesquisadores no Programa Estadual de Pesquisa da Bovinocultura, que têm expertise na área de recuperação de pastagens, forragicultura, manejo e conservação do solo, e irão contribuir bastante com o programa”, diz Fernando Oliveira Franco, chefe regional da Epamig Oeste.

Cada vez mais, produtores e técnicos têm se interessado por estes sistemas em razão da eficiência que possuem como ferramentas de otimização sustentável do uso dos solos nas regiões tropicais, já que a integração amplia o aproveitamento dos fatores de produção e a oferta ambiental das áreas agrícolas.

Ganhos

Com a adoção do sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), muitas fazendas conseguem taxas de lotação animal em torno de 3 a 4 animais por hectare, muito acima da taxa de 0,8 animal por hectare que normalmente se verifica. Entre outros resultados, destacam-se ganhos de peso acima de 1 kg/animal/dia; produtividade animal acima de 800 kg de peso vivo/ha/ano; produção de carne acima de 20 arrobas/ha/ano; maior peso até a desmama de bezerros; maior precocidade sexual de fêmeas; melhorias nos aspectos reprodutivos; e redução dos custos de produção da pecuária pela integração com agricultura.

Outro benefício adicional dos sistemas de integração é o aumento da matéria orgânica do solo, com consequente melhoria dos seus atributos físicos, químicos e biológicos, bem como o aumento do estoque de carbono; redução da pressão de desmatamento de novas áreas pelo efeito “poupa-terra”; estabilidade econômica e elevação da renda com a diversificação das atividades; redução de custos a médio e longo prazos; redução da vulnerabilidade aos riscos climáticos, além da melhoria na qualidade de vida e renda do produtor e de sua família.

Para atingir os objetivos de expansão dos sistemas integrados com a pecuária estão previstas várias ações de transferência de tecnologias na Fazenda Experimental da ABCZ, além de palestras, dias de campo e publicação de material técnico, entre outras ações. O prazo para a realização é de dois anos, estendendo-se até 2021.

Ao final da reunião, as empresas públicas e privadas reafirmaram a parceria visando atualizar o plano de trabalho conjunto, por meio do Comitê Técnico que irá conduzir o Programa de Melhoria das Pastagens de Minas Gerais. Além da ABCZ, Secretaria de Agricultura e suas vinculadas Emater-MG, Epamig e IMA, e Embrapa Cerrados, estiveram presentes representantes da Prefeitura Municipal de Uberaba, Associação dos Municípios do Vale do Rio Grande (Amvale), Ministério da Agricultura, Banco do Brasil, Senar, Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba, Cooperativa dos Empresários Rurais do Triângulo Mineiro (Certrim) e Grupo Vittia.


Publicado: 29/04/2019 por COOASAVI

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