Preço impulsiona cultivo de milho 'safrinha' no país

Fonte: Jornal Valor Econômico / via Milk Point. 


A alta nos preços do milho deve estimular um aumento na área plantada com o cereal na segunda safra brasileira de 2019/20 em 1 milhão de hectares, chegando em 13,4 milhões de hectares, segundo estimado ontem pelo banco holandês Rabobank, em evento em São Paulo. Somadas, as áreas de primeira e segunda safra no Brasil podem alcançar 18,4 milhões de hectares, 5% acima da temporada anterior.

Victor Ikeda, analista do Rabobank, disse que a consolidação de uma demanda firme pelo cereal - amparada pelo crescimento da produção de proteína animal no Brasil e pela produção de etanol - deve fazer com que o indicador Esalq/BM&FBovespa fique entre R$ 40 por saca e R$ 42 por saca ao longo do ano que vem. O patamar é próximo do registrado em 2015/16, quando uma quebra da safra elevou os preços no mercado.

O Rabobank estimou que a produção de milho no Brasil se aproximará de 100 milhões de toneladas nesta safra (em 2018/19 foram 101 milhões), mas o que chama a atenção é que o banco projeta uma demanda interna pelo grão de 68 milhões de toneladas em 2020, 6% maior do que a do ano anterior. Isto deixa um excedente de 30 milhões de toneladas para ser exportado. Segundo Ikeda, somente as novas usinas de etanol de milho deverão gerar uma demanda adicional de 2,5 milhões de toneladas no mercado interno. Apesar disso, ele disse achar cedo para falar em “falta de milho”.

Já em evento promovido pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), também na capital paulista, Sérgio Mendes, diretor executivo da associação, afirmou que o Brasil deve exportar 41 milhões de toneladas de milho em 2019, ante expectativa anterior da Anec de, ao menos, 38 milhões de toneladas. Em 2018, vale lembrar, os embarques do cereal somaram 22,8 milhões de toneladas.

Assim, de acordo com Mendes, num cenário de demanda aquecida por milho no país, pode ocorrer uma necessidade pontual de importação do grão ao longo do próximo ano. “No mês a mês, pode haver alguma necessidade de importação até a entrada da safra de verão. Mas, se levarmos em conta os estoques de passagem, não creio que haverá um problema de oferta”, avaliou.

No que tange à soja, o Rabobank estimou a área semeada em 2019/20 no Brasil em 36,5 milhões de hectares, área 1,7% maior, portanto, do que os 35,9 milhões de hectares plantados em 2018/19. Para a produção, a estimativa do banco é de 121 milhões de toneladas.

Apesar da safra “cheia” no país, Victor Ikeda disse que um impulso para os preços da soja deverá vir da redução da oferta nos Estados Unidos, que será enxugada para algo em torno de 95 milhões de toneladas, ante as 120 milhões de toneladas de 2018/2019. Com isso, os estoques americanos devem voltar ao patamar de 10 milhões de toneladas no ano que vem, que é o habitual, depois de terem ficado em 20 milhões no ciclo anterior.

“Nesse cenário, as cotações na bolsa de Chicago no próximo ano podem voltar a testar patamares próximos de US$ 9,70 por bushel”, disse Ikeda. A perspectiva considera que a guerra comercial entre EUA e China caminhe para a primeira fase de um acordo, com os dois países podendo negociar melhores taxas de importação num segundo momento. “Só se ocorrerem perdas nos Estados Unidos ou na América do Sul, o preço em Chicago poderá voltar a US$ 10 dólares por bushel”, ponderou Ikeda.


Publicado: 29/11/2019 por COOASAVI

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