Número de cidades brasileiras desenvolvidas pelo agro deve aumentar após a crise

Fonte: Dr. Agro / via SNA.


Na fase pós-pandemia, deverá aumentar, no Brasil, o número de cidades médias, com 50 mil a 250 mil habitantes, que irão se desenvolver, em grande escala, com investimentos agroindustriais. A observação é do diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e professor da Universidade de São Paulo (USP/Ribeirão Preto), Marcos Fava Neves. Segundo ele, a perspectiva é que estes lugares alcancem um grande padrão de vida.

Ao participar recentemente de uma videoconferência, Neves disse que hoje em dia é possível identificar pelo menos cem cidades brasileiras que já alcançaram grande desenvolvimento após receberem investimentos na agricultura e na agroindústria. “Esse é o modelo que o agro está propiciando ao País”, destacou.

“Barreiras (BA), Chapecó (SC), Dourados (MS), Guaxupé (MG) e Petrolina (PE) são alguns exemplos de progresso gerando negócios e inclusão social”, citou o diretor da SNA, acrescentando que este movimento de crescimento para o interior está fazendo com que o índice populacional nas grandes cidades permaneça mais estável.

Ao comentar a realização de um estudo divulgado no exterior sobre agroindustrialização e desenvolvimento, Neves citou também o caso de Quirinópolis, em Goiás.

A pesquisa constatou que, antes de 2005, ano em que cidade recebeu duas usinas de cana-de-açúcar, havia cerca de 700 empresas na região. Em 2009, pelo menos três mil empresas, de setores diversos, já impulsionavam a economia local.

Sustentabilidade e tecnologia

Ainda durante a live, Neves falou sobre o cenário externo e reforçou a necessidade de o Brasil consolidar sua posição como fornecedor sustentável de alimentos em todas as cadeias do agro, incluindo, nesse contexto, desde produtos mais elaborados à exportação de commodities. “Onde há mercado, o País tem produto para oferecer, com qualidade, sustentabilidade e agregação de valor”, afirmou o professor da USP.

Ele também destacou que o Brasil, a cada ano, ganha mais relevância como exportador de conhecimento, com a elaboração de novos softwares e soluções digitais para o campo.

“As empresas brasileiras estão cada vez mais respeitadas no exterior”, disse Neves, ressaltando que, no caso do Brasil, recursos da tecnologia como imagens por satélite, rastreamento, entre outros, poderiam ser aplicados com mais eficácia na área de inteligência para inibir a criminalidade no campo e os desmatamentos ilegais.

Identificação de mercados

No entanto, para que o Brasil possa se consolidar como fornecedor mundial sustentável de alimentos e agroprodutos, o diretor da SNA também julga importante a capacidade das empresas exportadoras e do próprio País em selecionar seus mercados-alvos.

Diante disso, Neves chamou a atenção, em seu canal online, para algumas características que podem identificar os mercados que demandam mais esforços de comércio internacional e marketing.

A partir de um modelo pré-estabelecido, o especialista comentou que países com grandes populações, em fase de crescimento e com predominância de jovens são indicativos de bons mercados, assim como fatores que mostram rápida urbanização, crescimento do PIB e distribuição de renda. Nesse último caso, explicou Neves, “o acesso à renda estimula a compra de alimentos”.

Segundo o professor da USP, países com recursos valiosos de exportações (que podem ser vendidos para ajudar a pagar as importações), que são desprovidos de recursos produtivos (terra, água, sol etc.) e com legislação favorável (abertos a importações e dispostos a desenvolver acordos comerciais), também devem ser levados em consideração no processo de identificação de mercados potenciais.

Por fim, Neves ressalta os países que implementam ou fortalecem políticas de biocombustíveis. “Ou o país importa etanol ou biodiesel ou vai ter de usar área própria de agricultura para produzir combustível, desfalcando a necessidade para rações e alimentação humana”.

Canais de distribuição e logística, moeda local valorizada e comportamento dos consumidores finalizam a lista de indicadores propostos. “Os mercados a serem priorizados pelo Brasil devem registrar cotação alta nesses 13 itens sugeridos”, concluiu o especialista.


Publicado: 20/07/2020 por COOASAVI

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