Cresce a proporção de mulheres no agronegócio

Fonte: Milk Point / Folha de S.Paulo. 


A participação das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio aumentou dois pontos percentuais em dez anos, de acordo com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

As trabalhadoras da agricultura, da pecuária e de serviços relacionados representavam 15% da mão de obra em 2007. A Rais (Relação Anual de Informações Sociais), divulgada na sexta, 28 de setembro, mostra uma alta para 17% — 230 mil no total. No caso das pequenas propriedades, uma parcela significativa do trabalho feminino não é contabilizada, conforme explicou Valdete Boni, pós-doutorada em gênero e campesinato e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul. “O trabalho doméstico feito no campo pelas mulheres corresponde a muito mais do que cuidar da casa e dos filhos, como nos centros urbanos”.

O cultivo de hortas e a criação de pequenos animais são alguns dos exemplos citados pela pesquisadora. “Essas atividades não são computadas porque não geram renda visível. É uma receita oculta, porque é consumida, trocada ou vendida em pequenas parcelas”, afirmou ela.

A proporção de mulheres no setor tem aumentado, mas elas frequentemente estão à frente de pequenas produções. Segundo Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), a participação feminina ainda é insuficiente. Muitas têm herdado propriedades nos últimos anos, então precisamos nos preocupar em formar lideranças.



"A procura por cursos e especializações é uma das características que diferencia as gestoras do agronegócio de seus pares", afirmou Daniela Coco, gerente da consultoria PwC especializada no setor. “A percepção de que a competição é mais intensa para elas faz com que essas profissionais busquem estar mais preparadas”, completou. "O perfil de quem busca os serviços de formação profissional da CNA (confederação do segmento) mudou nos últimos anos, de acordo com Deimiluce Lopes, coordenadora de Formação e Promoção Social.

Teresa Vendramini, gestora da fazenda Jacutinga, em Flórida Paulista (SP), buscou a Embrapa para se qualificar. “Me formei em sociologia, então quando assumi a propriedade procurei ajuda”.

"40% dos formandos nos cursos de agronomia nas universidades federais de Viçosa e de Lavras (MG) são mulheres".


Preparação profissional


Antes de assumir suas funções como presidente do grupo Junqueira Rodas, Sarita Rodas fez cursos de gestão. “Meu pai faleceu subitamente e não tinha nenhuma pessoa da família preparada para lidar com os negócios”. À frente da companhia desde 2013, Sarita supervisiona treze fazendas que, juntas, somam mais de 13 mil hectares. O cultivo de laranja é o carro forte, ao lado da plantação de cana e da criação de bois da raça Tabapuã.

O setor ainda é associado ao trabalho braçal pesado, e, portanto, masculino, segundo ela. “Minha percepção é totalmente diferente. Temos que ter visão de longo prazo e estratégia como em todos os negócios. Se eu fosse um homem na mesma situação, acredito que teria encontrado menos resistência”, contou.


Publicado: 02/10/2018 por COOASAVI

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